Arigatou Comunidade

  • Arigatô: agradecimento à comunidade

    No ano passado, 22 de dezembro, o Templo Budista de Brasília foi tombado como Patrimônio Histórico da Capital Federal, publicado no Diário Oficial.

    Isto enseja agradecimento à comunidade.

    Agradecimento a todos que se envolveram no processo popular e administrativo que levou três anos, começando com um pequeno grupo de admiradores da beleza e da paz, frequentadores e simpatizantes do budismo que enxergaram no Templo este valor, não só a sua arquitetura típica mantida integralmente, mas a importância da sua origem e evolução que se funde com a história de Brasília e as suas atividades culturais integradas com o dia-a-dia da Capital do País.

    Milhares assinaram a petição pública – desde pessoas simples como ilustres personagens brasilienses, a vizinhança que acompanhou a sua inauguração em 1973 bem como pessoas que vinham de longe assistir suas ações no campo religioso e espiritual – ritos, meditação e cerimônias – desde muito jovens até os mais idosos, diversas formações culturais, sempre com o interesse de buscar harmonia e paz, mesmo nas artes marciais, na ioga, no taichi chuan, além de cursos especiais da delicada arte japonesa como ikebana e origami, a própria língua e caligrafia.

    Todos eles, sem falar da multidão afluente de simpatizantes: presentes nas comemorações do Dia do Buda Menino em abril, para lembrar os auspícios do nascimento do Sábio Desperto e Compassivo a nos livrar do sofrimento; na Quermesse durante todo mês de Agosto, integrando-se à alegria da gastronomia, música e dança oferecida aos antepassados e à natureza que nos possibilita viver; nas 108 Badaladas da Passagem do Ano, a fim de renovar as esperanças para o ano vindouro a partir das reflexões sobre o ano que passou.

    Não posso deixar de agradecer às autoridades publicas que aceitaram esse encaminhamento, dando pareceres compreensivos e favoráveis ao longo de um penoso procedimento técnico-administrativo, incluindo perícias e levantamentos minuciosos.

    Como é do conhecimento de muitos, agradecimento em língua japonesa é Arigatô.  O primeiro ideograma “Ari” significa “ser, estar, encontrar”. “Gatô” ou “gatai” quer dizer difícil.  Portanto, “arigatô” = difícil de ser, estar, encontrar.  Ser grato por estar aqui, este eu minúsculo entre milhões de impossibilidades.  Ser grato por estar com você entre milhões de possibilidades.  Agradeço a oportunidade única de estar aqui nesse momento.

     

    NAMANDABU NAMANDABU NAMANDABU

    Monge Sato

  • Templo-Patrimônio de Brasília: reconhecimento da comunidade

    No ano passado, 22 de dezembro, o Templo Budista de Brasília foi tombado como Patrimônio Histórico da Capital Federal, publicado no Diário Oficial. Isto representa reconhecimento.

    A história do Templo está ligada desde o início com a fundação de Brasília, Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1987.   Quando o XXIII Gomonshu Otani Kosho esteve em visita ao Brasil, ficou muito entusiasmado com a iniciativa do então Presidente Juscelino Kubitscheck que idealizou a mudança da capital federal para o Planalto Central.

    Após o trauma da II Grande Guerra, terminada em 1945, nos anos 50 o mundo vivia o entusiasmo do desenvolvimento econômico e social pautado pela democracia.  As relações diplomáticas e econômicas entre o Brasil e o Japão são restabelecidas, há a retomada da imigração japonesa e o Shin Budismo da Terra Pura é oficialmente institucionalizado com o envio de monges formados no Japão e a construção e a inauguração do Betsuin de São Paulo em 1954 e de outros templos, acompanhando a própria colonização das fazendas de café.
    O projeto da Nova Capital dá início ao novo ciclo de desenvolvimento no Brasil com a interiorização regional e integração nacional do país, acompanhando a industrialização moderna representada pela produção de automóveis.  É na mesma época do surgimento da Bossa Nova e Cinema Novo, movimentos culturais de vanguarda brasileira que até hoje são de reconhecimento mundial.

    É também a Nova Espiritualidade.  A intenção de Juscelino e dos urbanistas e intelectuais como Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro que o acompanhavam, era fazer de Brasília um exemplo de igualdade e liberdade religiosa e de harmonia universal.

    Estabelecidos em outras regiões do País, os japoneses e seus filhos vieram a convite do próprio Presidente e da sua equipe de governo que, sabendo da má qualidade do solo do cerrado para cultivo, confiaram na técnica e persistência japonesa para assegurar boa alimentação à nova população urbana que estava se formando.  Eles não só deram conta do recado como enriqueceram a mesa dos brasilienses com frutas e produtos granjeiros, além de embelezar os lares com flores.  Mas, o grande desafio e contribuição japonesa seria construir um templo budista que não só oferecesse amparo espiritual da tradição japonesa e que também atendesse aos anseios da Nova Espiritualidade proposta por Juscelino e sua equipe.

    Não deu tempo para construir o Templo para a inauguração da Nova Capital em 1960.  De um lado houve mudanças políticas com a mudança do Presidente em 1961 e do regime político em 1964.  Do outro lado, os japoneses e seus descendentes, pioneiros já radicados em Brasília, reivindicavam um templo mais próximo de onde moravam e trabalhavam.  O Governo Brasileiro insistiu que a sua localização fosse no Plano Piloto para compor o todo monumental da Nova Capital, expressando o espírito de igualdade, liberdade e harmonia universal, voltado para todos, representado pela religião budista.  O templo seria também a demonstração da integração cultural e social entre os japoneses imigrantes e os brasileiros receptores, localizado no extenso terreno de quase 10 mil metros quadrados, em uma das zonas mais nobres da Nova Capital, junto à área reservada para um grande projeto pedagógico de educação integral.

    O projeto desenhado por especialistas do Honzan /Japão era belo, grandioso e satisfazia os anseios do Novo Brasil, o orgulho dos japoneses do Japão e radicados no Brasil como a honra do Jodo Shinshu, sua tradição histórica de mais de 700 anos.  Entretanto, era caro.

    Estava fadado a não se concretizar quando o XXIII Gomonshu Otani Kosho visita novamente o Brasil em 1964 e se encontra com o então Presidente.  E se compromete, mais uma vez, pela sua conclusão, sob o risco de perder a concessão do terreno.

    Desta vez, foi ação concentrada, conjugando os esforços do Japão/Honzan e dos shin-budistas de todo o Brasil que atenderam à campanha de constituição de fundos para a construção.  Louve-se neste momento o papel do Sotcho Kitajima Ryukei, que fez um apelo dramático em nome da Comunidade Budista Sul-Americana.

    A beleza do projeto se confronta com a dificuldade de construção e leva sete anos até a sua conclusão.   É digno de nota que em 1972, na busca de madeira maciça para seguir o projeto original, a equipe executiva principal que viajava de carro pelo interior de Goiás, sofre acidente resultando no falecimento do Sr. João Ofugi que liderava o grupo de Brasília e ferimento grave no Reverendo Matsumine, jovem monge que tinha chegado recentemente do Japão como representante do Honzan na construção.

    Em 1973, o Templo é inaugurado. Muitos componentes da Primeira Diretoria da Associação Mantenedora (Gozikai) e da Associação das Senhoras Budistas (Fujinkai) se mantém por vários anos, liderados por Sr. Kyoto Kahi e Sra. Hissako Kahi.  O primeiro monge responsável pelo Templo foi o Reverendo Setsugo Nishi, seguido por Tokiwaga Ofugi, Kiyoji Mizuno.

    Passaram-se mais de 40 anos, após a inauguração.  Ao longo desse tempo, o templo tem cumprido a sua função de ancoradouro espiritual para os pioneiros japoneses e seus familiares, com ofícios regulares, homenagem aos falecidos e datas budistas importantes como Ofício do Ano Novo, Hoonko, Higan, Ofício Memorial da Imigração Japonesa, Eidaikyou.

    A presença exuberante do Templo em um ponto bastante visível do Plano Piloto cumpre a função de representar a integração cultural, Ocidente-Oriente, Brasil-Japão, dentro do espírito de igualdade e liberdade religiosa.  No passado, realizavam-se desfiles de hanamatsuri, campeonatos de sumô, karaokê.

    A sua realização mais conhecida há 42 anos vem sendo o Urabon em que, todos os fins de semana, se realiza a Quermesse de Agosto com dança folclórica (bom-odori), apresentação de taikô, demonstração de artes marciais, ikebana, origami e comida oriental-japonesa à vontade.  Hoje, passou a ser a festa muito conhecida em Brasília, com a presença de quase 45 mil pessoas no total de 10 noites.  O Hanamatsuri e o Jôya no Kane têm crescido muito nos últimos anos, com a presença de centenas de pessoas.

    O Templo de Brasília vem antecipando a tendência que pode ocorrer em outros templos shin-budistas: o crescimento do interesse de brasileiros, incluindo os nikkeis,  pela integração cultural Brasil-Japão através do budismo, visando a paz, a compaixão e sabedoria na modernidade globalizada.

    Além de atender especialmente às famílias nikkeis na homenagem aos antepassados, os ofícios regulares semanais no Templo são realizados na forma tradicional – Shinshu Shuka, Shoshinge, Wasan, SeikatsuShinjô, Ondokusan – mas as instruções e o howa são em português.  Além disso, aproveitando a excelente localização do Templo, são oferecidas atividades à vizinhança em artes marciais, yoga, meditação, ikebana, língua japonesa etc, sempre aproveitando a ocasião para passar ensinamentos do Shinran Shonin.

    Certamente, a designação oficial do Templo como Patrimônio Histórico-Cultural é um reconhecimento do esforço dos pioneiros nipo-brasileiros, fiéis ao espírito da fundação da Nova Capital em 1960, mas também uma referência importante para o futuro.  Ciente do fato, a Embaixada do Japão programa incluir a cerimônia oficial desta designação tão honrosa nos Festejos dos 120 Anos da Amizade Japão-Brasil que se comemoram este ano.

    A responsabilidade da integração cultural Japão-Brasil através do shin-budismo não é só do Templo de Brasília, mas de toda Ordem, inclusive do Honzan no Japão.

    Foi resultado de quase três anos de movimentação por parte dos adeptos e simpatizantes do budismo e da cultura japonesa que entendiam que a história do Templo e suas atividades de interação cultural com a comunidade brasiliense mereciam ser lembradas, homenageadas e tomadas como referencia para o futuro.

    NAMANDABU NAMANDABU NAMANDABU

    Monge Sato

  • O Futuro do Templo: Compromisso com a comunidade

    No ano passado, 22 de dezembro, o Templo Budista de Brasília foi tombado como Patrimônio Histórico da Capital Federal, publicado no Diário Oficial.

    Isto enseja compromisso renovado.

    Responsabilidade perante os pioneiros de Brasília.  Refiro-me tanto aos fundadores da Nova Capital capitaneados pelo saudoso Juscelino Kubitschek, idealistas da buscada Paz Mundial após o trauma da Segunda Grande Guerra como Lucio Costa, Oscar Niemeyer e tantos outros, intelectuais e empreendedores, como aqueles que sonharam com vida melhor, vindos de todos os rincões do Brasil.  Os nipo-brasileiros estavam entre esses pioneiros e construíram esse Templo, além de municiar a mesa dos brasilienses com legumes e produtos hortifrutigranjeiros, embelezar os lares com flores e facilitar a vida com necessárias utilidades e armarinhos.

    A presença deste Templo em Brasília permitiu que tomássemos contato com uma cultura milenar de outra parte do mundo, para fazer valer o vaticínio de um Dom Bosco e até mais recentemente de um Darcy Ribeiro, passando por um Anísio Teixeira, que projetaram o futuro ecumênico, diversificado e igualitário de Paz e Harmonia Universal, simbolizando a Nova Capital.  Sentimo-nos responsáveis por isto e comprometidos neste processo de globalização.

    Compromisso histórico-cultural pois os templos de antigamente em qualquer lugar do mundo e credo se constituíam em centros culturais, eram escolas em que se davam aulas para crianças, atendia-se aos idosos, era onde a comunidade se encontrava.

    Este compromisso é hoje multicultural e globalizado de Amor, Sabedoria e Compaixão, face ao extraordinário avanço material que encurtou distancias e se sobrepôs às fronteiras geográficas e culturais – graças à formidável evolução no campo das comunicações – mas acelerou tremendamente as necessidades secundárias e imediatistas, as frustrações decorrentes e as desigualdades de oportunidades como de realizações.

    Queremos que o Templo seja um espaço físico, espiritual e cultural para todos, sem distinção de credo nem de idade, aperfeiçoando o que viemos fazendo.  Este compromisso se renova acrescido de atenção especial aos idosos e aos jovens.

    Queremos que os “idosos” possam repassar aos jovens o melhor da sua experiência que seja intelectual, profissional, de vida.  Podemos ainda ser úteis sim e dar sentido a que fazer na nossa vida ainda cheia de beleza e desafios, tomando o Templo como palco apropriado, iluminado, especialmente para a vizinhança.   Em vez de nos atrapalharmos com o “progresso” material e cuidar só da nossa saúde e conforto mas morrermos “atrapalhados”, podemos ajudar os outros a terem lampejos de claridade na vida, sem distinção de religião, cultura ou idade.

    E queremos melhor atender a juventude não só nas diversas atividades já desenvolvidas no próprio Templo mas entrosando-nos com a rede de ensino público para difundir a meditação e artes marciais com sua filosofia de paz e harmonia, corpo-mente, dimensão material e imaterial, como era o propósito de pedagogos pioneiros inovadores.

    NAMANDABU NAMANDABU NAMANDABU

    Monge Sato

Cidadão Honorário

Monge Sato

“Agradeço pela responsabilidade concedida e comprometimento.  Só assim me considero merecedor de receber a homenagem concedida pela Assembleia Legislativa há três anos como Cidadão Honorário de Brasília”.

NAMANDABU NAMANDABU NAMANDABU

Monge Sato


No dia 1o de Novembro de 2012, foi publicado o Decreto Legislativo nº 1931, de autoria do Deputado Joe Valle, concedendo a Monge Sato o título de Cidadão Honorário de Brasília.

Depoimentos

"Referência para Brasília de um lugar não só religioso mas de aprendizado das culturas orientais com ênfase na japonesa. Importante para toda a comunidade. Me admirei quando pela primeira vez vi o Templo. Que susto. Onde eu estou no Brasil mesmo? Sua arquitetura embora bem distinta da de Brasília me agrada pois faz lembrar algo sagrado."

Fernando Madeira

Arquiteto e Artista Visual

Sino Budista

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