Shinran Shonin – O fundador

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A voz do Shin Budismo da Terra Pura é a do grande mestre, Shinran Shonin (1173-1263). Nascido em Hino, na província de Tóquio, tornou-se monge Budista aos nove anos de idade, no principal centro de estudos budistas, o Monte Hiei.

No Monte Hiei, dedicou-se por vinte anos aos estudos e práticas para alcançar a iluminação. Com vinte e nove anos, Shinran sentiu uma profunda crise: descobriu que a sua aspiração à iluminação esbarrava nos venenos da mente – cobiça, raiva e ignorância –  que ele não conseguia esconder, como era comum entre os monges da época.

Eu tentava pacificar minha mente na meditação, mas as ondas do desejo me invadiam a todo o momento. Embora eu tentasse claramente enxergar a lua da Mente Única, as nuvens das paixões vinham a todo momento para encobrir tudo.  O momento de uma respiração não era seguido por outra, minha vida se perdia para sempre mais uma vez. Como posso ficar satisfeito com a essa vida transitória? Como posso ficar cego às hipocrisias das disciplinas e dos estudos? – Shinran Shonin (1173-1263).

Insatisfeito com os ensinamentos do budismo tradicional e monástico, abandona o Monte Hiei e desce a montanha para se aproximar da vida cotidiana e das pessoas comuns, caminho que percorreu até o final da vida.

Shinran estava determinado a encontrar uma maneira de se libertar do Samsara – o ciclo de nascimento e morte – e encontrar o Nirvana – o estado de libertação do sofrimento. Para isso, ele meditou por 100 dias consecutivos. No 95º, dia teve uma visão do Príncipe Shotoku, o qual o instruiu a tomar aulas com mestre Honen.

Esse encontro foi fundamental, pois Honen e Shinran compilaram os escritos dos grandes mestres budistas da Índia, China e do próprio Japão. Ao se tornar discípulo de Honen, Shinran conheceu o caminho do Nembutsu e o sentido para a libertação de todos os seres.

Shinran devotou-se a aprofundar sua compreensão do Voto do Bodisatva Darmakara e a aspirar a liberação de todos os seres sem distinções. Ele levou esses entendimentos para a vida cotidiana e transmitiu de maneira incansável os ensinamentos às multidões de discípulos com a prática do Nembutsu.

A sua profunda autorreflexão e ensinamentos sobre a Lei de Liberação de Amida ocasionaram uma reversão completa do senso comum e dos conceitos budistas da época.

Por isso, quando o ensinamento do Nembutsu incitou ciúmes e críticas das escolas tradicionais, Shinran foi perseguido. Como consequência, ele foi destituído da condição de monge e exilado para o norte do Japão em 1207, onde mais tarde se casou. Inaugurou assim, o fim do celibato entre monges, que hoje é comum no Japão, e retornou às raízes do Budismo Mahayana, o Caminho Budista dos Leigos, de uma vida de despertar voltada à realidade, que inclui a família, relacionamentos e o cotidiano.

Depois de receber o perdão, ele se estabeleceu na província de Hitachi onde passou a difundir os ensinamentos do Nembutsu para camponeses, pescadores, caçadores. Nesta mesma época, começou a escrever o texto mais abrangente da escola Shin, Kyogyoshinshô. Posteriormente, aos sessenta anos de idade, Shinran retornou a Kyoto e dedicou sua vida à atividade literária até sua morte aos noventa anos.

Os ensinamentos de Shinran Shonin se tornaram a mais poderosa e influente força no Japão, e agora começam também a ser conhecidos e praticados no Ocidente.

A simplicidade e beleza do Nembutsu ganhou grande aceitação através dos séculos e continuará a mostrar o caminho da libertação para todas as pessoas de todas as terras e lugares