Rennyo Shonin
"Na noite caindo, as ondas batem no barco. De Yoshizaki, ao longo de Kashima, sinto saudades das montanhas. Um homem do mar, confiando apenas na luz de sua tocha, remando seu barco, com o destino desconhecido. Como a minha vida"

Rennyo Shonin, nascido em 25 de fevereiro de 1415, em Kioto, sucedeu o pai - Zonyo Shonin - em 1457, tornando-se o oitavo patriarca do Shin Budismo da Terra Pura. Se Shinran é o mestre-fundador, Rennyo ocupa um lugar especial na Escola, sendo considerado o mestre inovador.

Quando Rennyo ascendeu ao posto de patriarca, quase 200 anos após o falecimento do Shinran, o Templo Hongwanji vivia um momento de fortes privações. O Templo consistia de dois pequenos recintos em um ambiente de extrema pobreza, melancolia e solidão: Amida-dô de 5,5 metros e Goei-dô de 9 metros quadrados.

Rennyo começa a se dedicar fervorosamente à atividade de recuperação do Templo e de propagação do budismo e dos ensinamentos do Shinran. Ele tratou de recuperar a simplicidade das práticas ritualísticas e trabalhou arduamente para que o Shin Budismo da Terra Pura retornasse ao espírito original do fundador Shinran Shonin.

Deixou de sentar-se na parte mais elevada do altar, ficando no mesmo nível dos adeptos "companheiros de jornada, companheiros de prática" (Ondobo-Ondogyo). No escrito denominado Goichidaiki Kikigaki consta que ele transgrediu radicalmente a tradição vigente ao queimar as imagens de madeira de Buda Amida, utilizando-as para esquentar a água do banho. O propósito era o de demonstrar a formulação do Shinran, em que o NOME do Buda (Myogo) deveria prevalecer sobre a sua imagem. Rompe também com os preceitos do celibato e abstenção carnívora.

A atividade iniciada por Rennyo como novo patriarca é impressionante. Ao receber a concessão imperial de erigir o Portal da Coroa de Crisântemo, provocou inveja e ira dos tradicionalistas do Tendai que não aceitavam suas inovações. Por exemplo, a permissão aberta de matrimônio e a de comer carne por parte dos monges foram tachadas de francamente heréticas.

Ele escreveu mais de 200 cartas desde 1461 até a sua morte em 1499. Foi o seu método de difusão do budismo, constituindo a base da atual comunidade shin budista. Palavras simples e concisas que utilizavam linguagem coloquial para esclarecer de forma precisa a interpretação do Shinran sobre a causa do Nascimento na Terra Pura. Eram lidas coletivamente em reuniões por monges ou leigos, homens e mulheres.