Outras Datas

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JANEIRO

 

Dia 1° – Ano Novo – Shusho-e

Nesse encontro, além de celebrarmos o novo ano que se apresenta, fazemos um ofício de meditação cantada para que assim, com nosso corpo e mente renovados, possamos fazer uma reflexão sobre o ano que termina e votos para o novo ano que se inicia.

É uma oportunidade para ouvirmos os ensinamentos e reafirmarmos nosso compromisso com o caminho do Buda.

Dia 16 – Ofício Memorial em Homenagem ao Fundador Shinran Shonin – Hoonko

Este é o mais importante ofício do Shin Budismo da Terra Pura.

Nesta data homenageamos a memória de Shinran Shonin, nosso fundador. Tradicionalmente, durante sete dias, realizam-se ofícios na matriz – Honzan – sediada em Kioto, Japão.

Nesse período, acontecem várias atividades, tais como a leitura da biografia de Shinran Shonin, sermões dos monges e refeições vegetarianas. Os presentes podem ouvir palestras de budistas renomados e encontrar adeptos de outras regiões e países para fortalecerem o espírito de Sanga – Comunidade Budista.

No Japão, cada templo costuma celebrar seu próprio ofício de Hoonko, entre outubro e dezembro do ano anterior, para assim participar da cerimônia na matriz, Honzan.

No Brasil, os templos o realizam no próprio dia 16 ou no domingo anterior.

 

FEVEREIRO

 

Dia 15 – Dia do Nirvana – Nehan-e

A palavra em sânscrito para nirvana provém da raiz “va”, que significa “extinguir” e do radical “Ana”, que significa “fazer” e o prefixo “nir”, “fora”. Nirvana é o estado de extinção de todo o sofrimento.

Quando o Buda atingiu a iluminação sob a árvore bodhi, ele alcançou esse nirvana, mas como ele ainda era humano, não atingiu o nirvana pleno, o parinirvana, que só foi atingido quando ele morreu aos 80 anos.

 

MARÇO

 

Equinócios – Passagem para Outra Margem – Higan-e

Chegar a Higan significa atravessar o rio da existência pelo Caminho do Meio, o caminho do Buda, partindo do Samsara – o mundo do sofrimento – para alcançar a margem do Nirvana – o acordar à realidade.

Duas vezes por ano o sol corta o equador celeste bem ao meio, fazendo com que o dia e a noite tenham igual duração. São os equinócios que ocorrem no primeiro e segundo semestres.

Nessas duas ocasiões, durante uma semana, comemora-se o Higan-e, de outono no mês de março (18 a 24/03) e de primavera em setembro (20 a 26/09).

Nesta época nos reunimos sob o altar do Buda Amida, meditamos sobre a harmonia da natureza que permeia todo o universo e nos comprometemos à realização dessa harmonia para nossa vida.

Durante essas semanas, meditamos sobre as “Seis Paramitas” que nos levam a outra margem. Paramita é a palavra em sânscrito para “outra margem”:

1. O caminho da doação – Dana
2. O caminho do modo de vida pleno – Sila
3. O caminho da persistência e paciência – Ksanti
4. O caminho do esforço – Virya
5. O caminho da meditação – Dhyana
6. O caminho da sabedoria – Prajna

 

ABRIL

 

Aniversário do Buda Menino – Hanamatsuri/Kambutsu-e


O Festival das Flores, conhecido como Hanamatsuri, é a comemoração do nascimento de Sidarta Gautama, que se tornou o Buda Sakyamuni. Esta é uma festa dedicada às crianças, que, no Templo Shin de Brasília, denominamos de “Festa do Buda Menino”.

Um altar de flores, o Hanamido, é montado como uma representação do Jardim Lumbini, lugar onde Sidarta Gautama nasceu. Neste altar coloca-se uma estatueta do Buda criança com a mão direita apontada para o céu e a esquerda voltada para a terra.

As crianças entram no templo com flores, velas e banham a estatueta do Buda com chá para simbolicamente representar – como a diz a história – a chuva doce que preencheu os céus no dia em que ele nasceu.

Kambutsu-e significa exatamente o rito de banhar o corpo do Buda com chá doce, simbolizando esse dia de renascimento e alegria para a humanidade.

Depois das comemorações, as crianças recebem balas, doces e são convidadas a participar de brincadeiras tradicionais infantis e oficinas variadas no tatame de artes marciais do Templo.

 

MAIO

 

Dia 21 – Aniversário do Fundador da Escola Terra Pura, Shinran Shonin – Gotan-e

Neste dia celebramos o nascimento de Shinran Shonin, nosso fundador.

Nascido em 21 de maio de 1173, Shinran perdeu seus pais ainda muito jovem o que o levou ao caminho budista. Sua vida foi dedicada à propagação do Nembutsu, a chamada “meditação fácil”, em províncias distantes, com a plena convicção de que os ensinamentos do Buda eram direcionados a todos os seres e não somente a monges ou pessoas especiais.

Na matriz Honzan, localizada em Kioto, Japão, além dos ofícios religiosos, são programados entretenimentos como o Gagaku (música celestial), o Teatro Noh (teatro clássico japonês) e as cerimônias de chá.

Você pode conhecer mais sobre a história de Shinran Shonin aqui.

 

JULHO ou AGOSTO

 

Dia 27 – Urabon-e (O-bon) – Julho ou Agosto – Kangui-e

As origens do Urabon-e ou O-bon remontam ao Sutra Ullambana, que conta a estória de Mahamaudgalyanyana, dileto discípulo de Sakyamuni.

Mahamaudgalyanyana era detentor de uma visão transcendental e ao perceber que sua falecida mãe sofria no reino dos famélicos, os demônios famintos, foi buscar conselho com o compassivo Buda.

Sensibilizado, Sakyamuni libertou a mulher por meio da sua infinita compaixão. Tomados por um completo êxtase, Mahamaudgalyanyana e os outros discípulos dançaram e bateram palmas em agradecimento.

Assim tem início o Bon Odori, as danças japonesas tradicionais do dia de O-bon. A data é uma ocasião para nos lembrarmos com muita alegria do despertar propiciado pelo Buda e, ao mesmo tempo, dirigir nossa gratidão aos ancestrais e a todos os falecidos que habitam a Terra do Buda.

Por isso a cerimônia é também denominada de Kangui-e, “Reunião de Júbilo”.

Para saber mais sobre essa celebração tradicional aqui.

 

OUTUBRO ou NOVEMBRO

 

Ofício Memorial Perpétuo – Etaikyo

Cada Templo Budista tem um Livro Etaikyo, em que estão escritos os nomes das pessoas e o dia do falecimento, em respeito e agradecimento às suas contribuições em prol da difusão do Darma.

O Eitakyo não é uma cerimônia para beneficiar os mortos, mas os vivos, como todos os rituais de morte no Budismo da Terra Pura.

É uma oportunidade de ouvirmos os ensinamentos budistas passados de uma geração a outra há mais de dois mil e quinhentos anos e ainda assim, sempre atuais.

Nesta cerimônia expressamos a gratidão aos Três Tesouros do Budismo: O próprio Buda, o Darma – seus ensinamentos – e à Sanga – comunidade budista.

 

DEZEMBRO

 

Dia 8 – Dia da Iluminação  –  Jodo-e

Dia da Iluminação é o dia que o Príncipe Sidarta se tornou um Buda, aos 35 anos.

Sidarta abandonou o palácio e a vida de príncipe, para ir em busca da verdade do sofrimento humano. Ao despertar, compreendeu a vida em toda sua extensão e complexidade, no primeiro discurso conhecido como as 4 Nobres Verdades. A partir dessa data, deixou de ser Sidarta e passou a ser conhecido como Sakyamuni, o Buda.

Com seu exemplo, Sakyamuni demonstrou a possibilidade do ser humano tornar-se um Buda – uma pessoa plenamente desperta. Ele nos ensinou que todos os seres humanos possuem a mesma potencialidade – a natureza búdica – que, quando cultivada e desperta, capacita-nos a atingir a sabedoria e compaixão supremas.

Esse dia significa não só a possibilidade de libertação do sofrimento individual como também de toda a humanidade.

Dia 31 – Ofício da passagem de ano  –  Joya-e

Na véspera do Ano Novo, os templos realizam esse ofício para expressar gratidão a todos que nos ajudaram no decorrer do ano, para refletir sobre a interdependência de todas as coisas e sobre tudo que tornou nossa existência possível.

O templo possui o maior sino sagrado – Bonsho – do Brasil. Com ele, cento e oito badaladas são tocadas na hora da passagem do ano. Este ato é chamado de “joya no kane”, ou seja, “sino da passagem da noite”.

É um evento muito concorrido e todos são convidados a participar desta oportunidade generosa de tocar o sino.

Com cada toque estamos, simbolicamente, afastando as cento e oito paixões que nos causam sofrimento e nos prendem ao mundo ilusório. Esse gesto cumpre a função de lembrar-nos da libertação das amarras do egocentrismo ao raiar do Novo Ano.