A diferença entre se arrastar e voar

postado por Cris / no comentários

O Monge Haritani morreu em 2009. Muitos se lembram dele como “aquele monge que desenhava”. Por não saber falar português direito, ele utilizava o desenho para se comunicar com as pessoas. Sempre começava a fala com um simples traço e perguntava: “O que é isso?”  As pessoas tentavam adivinhar, brincavam, se divertiam. Assim era a maneira especial dele passar os ensinamentos budistas.

Pois bem: ontem eu estava revendo as notas que ele deixou e me deparei com uma ilustração de dois pássaros carregando um pedaço de pau. No meio desse pau, uma tartaruga segurava firme. Essa é uma estória bem conhecida, faz parte dos contos de Jataka, relatos sobre outras vidas do Buda. Não me lembrava muito bem do conto, e foi bem melhor, porque além de me colocar no lugar dos “alunos” do Monge Haritani, pude também exercitar minha mente de principiante, ao olhar para essa imagem e ver o que ela me dizia.

Logo pensei sobre a tartaruga: “ Essa tartaruga deve ser a nossa imagem. Um bicho feio, primitivo, que diante de uma ameaça (ou do desconhecido) sempre vai se esconder debaixo da carapaça.”

Como arrasta-se no chão, nunca poderia voar, mas voa, ajudada pelos dois pássaros.  Você, como a tartaruga, também pode voar,  se deixar-se ser carregado pelos dois Budas, Amida e Sakyamuni. Isso é confiar. Não podemos fazer isso sozinhos, porque somos como a tartaruga, esse bicho primitivo que se esconde e se arrasta pelo chão. Mas, se tivermos confiança nos ensinamentos, confiança de que também podemos ser Budas, essa confiança nos fará ultrapassar a nossa condição humana para aspirar à condição de Buda. Para isso, basta segurar firme. Ouvir os ensinamentos, compreender os ensinamentos e agir de forma natural, comprometida, firme.

Ah! Na história, a tartaruga duvida de que os pássaros vão levá-la para um lugar seguro, abre a boca para expressar essa dúvida e cai.

A tartaruga é mesmo muito parecida conosco!