Crônicas Budistas

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Consciência da Mudança, consciência do caminho

 

Sou monge já algum tempo, mas o caminho do Budismo nunca pára de me surpreender. Sempre em movimento, sempre em ação, sempre girando a roda da vida.

Esse é o aprendizado transformador que gostaria de estar passando para vocês.

Num primeiro momento, vocês podem ler e até aceitar minhas palavras, mas como algo externo, sem nenhuma relação com o que estão vivendo. Demora um pouco para se entender que o Budismo não é somente descrição histórica para comprovar a existência do Buda; não é mera exposição de uma lógica filosófica excepcional surgida na mesma época em que conviveram Confúcio e Lao-Tsé, Sócrates e Platão; não é o pragmatismo de técnicas de auto-ajuda que prometem cura rápida e imediata às nossas aflições da mente e do coração.

O Budismo não é algo que está fora de nós, e sim algo que faz parte das nossas vidas, é a gente deixar de ser seixo para se tornar ouro, como se diz no Shin-Budismo, referindo-se à nossa transformação pelo poder da compaixão e sabedoria do Buda. É também o reconhecimento do mundo exterior e compreensão dos fatos que ocorrem à nossa volta, conformando o leito do rio por onde rola a nossa vida.

A capacidade de compreender e absorver a realidade passa pela experiência direta de cada um de nós. Vamos nos abrir ao que é verdadeiro e real em cada momento de nossas vidas, abrindo-nos a nós mesmos e ao mundo.

Quero colocar em xeque meus quase cinquenta anos de experiência acadêmica e ativista social em busca de uma linguagem simples e de uma prosa fraterna e sincera que possa transmitir isso. Quero que tudo aquilo que aprendi e guardei na mente faça sentido no meu coração. Quero que nos unamos à mente-coração do Buda, à essência da vida como ciclo de nascimentos e mortes.

Nestas alturas da vida, resta-me tentar exprimir livremente o que aprendi com meus mestres declaradamente budistas ou não, o que experimentei diretamente e o que sinto hoje como budista. São falas reproduzidas do meu dia a dia no Templo, dirigidas às pessoas com necessidades e disposições diferentes, mas que têm em comum a busca da compreensão e superação do seu sofrimento no caminho espiritualista. Refaço esse caminho para buscar o meu caminho e de toda a humanidade no seu momento importante de crise.

Crise – em japonês, 危機 – significa perigo e oportunidade de mudança.