Biografia

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Ademar Kyotoshi Sato nasceu em São Paulo capital no dia 29 de janeiro de 1942. A mãe, Kinuko Sato, era japonesa. O pai, Seite Sato, era brasileiro nissei.

Em 1998, ele se tornou monge budista, após concluir estágio nos mosteiros de São Paulo e Kyoto, Japão. Mas do seu nascimento até seu encontro com o Shin Budismo, Sato viveu de tudo um pouco:

Teve uma infância difícil: pais imigrantes, pouco dinheiro, Guerra Mundial. Ele sofreu na pele a discriminação racial, perseguido nas ruas por outros meninos que o xingavam por ser filho de japoneses, inimigos do Brasil na guerra.

Em seguida, uma juventude inquieta: estuda Economia e Direito, participa dos movimentos estudantis, da ação católica universitária – a Teologia da Libertação, e, com o Golpe Militar em 1964, é obrigado a se exilar no Chile.

Naquele país, Sato vê o mundo com olhos de um homem adulto. Já casado e com dois filhos pequenos, é testemunha e vítima de um país em crise. Vai preso e levado a um pelotão de fuzilamento. Solto em seguida, Sato medita ainda hoje sobre “as causas incertas e condições aleatórias” que regem a nossa vida.

De volta ao Brasil, é preso na Bahia. Perde um filho e um irmão. Retorna a São Paulo no início dos anos 80 e dá aulas na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. Se envolve com o movimento pelo novo sindicalismo no ABC Paulista, com a CUT – Central Única de Trabalhadores – e com o PT – Partido dos Trabalhadores.

Em 85, um ex-aluno assume como Ministro do Planejamento e o convida para morar em Brasília. Sato muda-se para a capital com a família, e mantém suas atividades políticas, colaborando com Cristovam Buarque no Governo do Distrito Federal em 1995.

A partir de então, vizinho do Templo de Brasília, Sato começou sua caminhada budista.
Um dia, ao subir a escadaria da nave principal, encontra um velho monge que falava sobre a compaixão budista como equivalente ao amor incondicional da mãe.

O velho monge Nakabayashi, numa linguagem simples e tocante dizia:

 Você não sabe, mas quando criancinha foi se arrastando para dentro da cozinha e estava estendendo as mãos para derrubar uma panela d’água fervente sobre si próprio. Sua mãe aparece não sei de onde e o salva. Você não se lembra, mas foi empurrando a cadeira até a janela no 10º andar e já estava com a metade do corpo fora, quando sua mãe aparece não sei de onde e o segura. Isso aconteceu na beira da piscina, na margem da rodovia. Esse é o amor incondicional da mãe. Da mesma forma, a compaixão do Buda sempre o está libertando do sofrimento, mesmo que você não saiba.

Para Sato, sua escolha pela vida monástica no budismo “foi uma tentativa de retirar-me do mundo do poder para o mundo da compaixão”.