
Os jovens e o onigiri

Lê-se ONI-GUI-RI. é um bolinho de arroz branco, do tamanho de um punho, encoberto ou não por algas, tostado ou não na brasa, com ameixa amarga (umeboshi) dentro. é para se comer em qualquer situação, seja em festas simples, na rua, na escola ou no trabalho. Antigamente, os samurais levavam para as batalhas, os monges para as peregrinações. Os mangás e animês costumam apresentar personagens comendo seus onigiris.
No próximo fim de semana, nos dias 13 e 14, os jovens do Templo vão realizar o ONIGIRI 2010.
Achei muito significativo que o primeiro evento concebido, planejado e operacionalizado por eles recebesse esse nome. Onigiri representa algo mais que uma simples e popular comidinha japonesa. A maioria dos japoneses deve se lembrar dos onigiris preparados pela mãe. Na língua japonesa, “nigiri” significa segurar, encobrir, assegurar. Nigiri se faz segurando o punhado de arroz cozido com as duas mãos como em prece, encobrindo-o com alga seca, assegurando sua preservação com ameixa amarga.
Hoje, não só os jovens, mas quase todos nós, ouvimos música, interagimos com nossos amigos pelo twitter ou Orkut, assistimos a TV ou animê, lemos um livro ou mangá, atendemos o telefone e ainda estudamos ou jogamos. Tudo isso ao mesmo tempo! As coisas acontecem às pressas e, na maioria das vezes, acabamos não fazendo nem uma coisa nem outra.
Como onigiri representa, entendi que os jovens querem segurar suas vidas nas mãos, envolvendo a si próprios e a todos, sem distinção ou discriminação. Continuar fazendo tudo ao mesmo tempo, mas com atenção plena, como dizemos no budismo, dando atenção a tudo e a todos. Chamamos a essa atenção, esse segurar nas mãos, de sabedoria e compaixão.
Só os jovens?
Aproveitem o ONIGIRI e todo o seu significado. Sejam todos bem-vindos ao Templo Shin Budista da Terra Pura de Brasília. Gostaria que todos prestigiassem o ONIGIRI-2010, convidando seus filhos, sobrinhos, primos, amigos e vizinhos, especialmente os jovens. Haverá comida e atração para todos, a partir das dez horas de sábado.
Informações:
www.onigiri.radioblast.com.br ---- 3245-2469 ----- www.terrapuradf.org.br
Publicado por: Monge Sato
Mathias e a nova sanga

Mathias é filho da Ana Cristina e vai fazer dois anos. A mãe o apresentou ao Buda na cerimônia chamada SHOSANSHIKI, que se realizou hoje no Templo
Budista de Brasília.
Muita gente que lê este blog foi batizada. Eu fui, mas será que valeu a pena?
Claro que há diferenças entre cristianismo e budismo. No budismo não se fala em Deus onipotente que nos julga para recompensar ou punir. A sabedoria e a compaixão do Buda nos acolhem incondicionalmente, aqui e agora, como somos e onde estamos. Entretanto, a responsabilidade do julgamento e da reflexão é nossa e a generosa Luz do Buda é incessante, sempre pronta para orientar a nossa transformação.
Shosanshiki significa ser apresentada à Luz. A criança cresce sabendo que essa Luz - Pura, da Alegria e Sabedoria - existe. E quando tiver a liberdade de escolha, parte conscientemente para Iniciar o Caminho. Acho que tem significado diferente do batismo cristão.
Mas, o importante é que a iniciativa da mãe, Ana Cristina, reforça o sentido da formação da nova Sanga em Brasília. Como os budistas sabem, Buda, Darma e Sanga são os chamados os Três Tesouros do Budismo. E muitos percebem que embora o Darma – os ensinamentos e preceitos budistas - persista e seja hoje bastante difundido em todo o mundo, Buda como o ideal ético - a perfeição da Compaixão e Sabedoria – e Sanga - a convivência verdadeiramente fraterna e igualitária de seres humanos – parecem ter se afastado de nós.
A velha Sanga que trouxe o budismo ao Brasil está se esfacelando. Os jovens de origem japonesa se lembram do Templo como um lugar não alegre onde foram obrigados a ir com os avôs e país para assistirem cerimônias solenes de natureza fúnebre.
Budismo é alegria, é energia pura para viver essa difícil vida de forma plena. A nova sanga está em formação, e a prova disso é o abandono da busca individualista da felicidade para seguir o caminho da transmissão dos méritos do Buda. Ana Cristina, ao trazer para o budismo sua família, parentes e amigos, não necessariamente budistas, confirma os seus votos de se refugiar nos três tesouros do Buda, Darma e Sanga e expande esses votos para todos na alegria do café da manhã, do almoço e do bolo de aniversário; nas brincadeiras das crianças; na conversa e reencontro animado dos adultos.
Sei que muitos devem estar se perguntando: o que é a transmissão dos méritos do Buda? Pretendo falar sobre isso em outra ocasião.
Agora vamos acompanhar Ana com alegres aniversários, comemorações e casamentos no Templo!
Publicado por: Monge Sato





































