Contra qualquer tipo de intolerância

postado por Cris / no comentários

Transcrição da fala do Monge Sato na Estação Rodoviária de Brasília em  21/01

 

É muito simbólico eu estar aqui na plena Estação Rodoviária de Brasília para homenagear o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa que é lembrado em todo Brasil no dia de hoje.

Sou monge budista, tenho cara de japonês, mas sou brasileiro como todo o povo que nos rodeia, a quem agradeço pela atenção. Também agradeço o convite especial da Secretaria Especial de Igualdade Racial e cumprimentar os irmãos religiosos de várias tradições – e também ateus – que me ladeiam nesta Mesa.

Quando os ouço falando da discriminação e intolerância, eu me lembro da dor e do medo que senti aos sete anos quando me mudei para um novo bairro em São Paulo, meninos da redondeza corriam atrás de mim, tacando pedras e me xingando: “Japonês, vá embora! Seu país é nojento. Vocês perderam a guerra!”

Era 1949 e já fazia alguns anos que tinha terminada a Segunda Guerra Mundial em que o Brasil se postou do lado da Aliança em torno dos Estados Unidos para combater o Eixo formado por Alemanha, Itália e Japão.

Mesmo sentindo dor e medo, não entendi nada, só fugia. E tenho certeza que os meninos – que depois se tornaram meus amigos – também não entendiam porque me perseguiam. Pura ignorância!

Mais tarde, já adulto, fui perseguido por defender a democracia: fui exilado do país, preso, torturado, tive dificuldades em encontrar emprego.

Por isso, sou contra qualquer tipo de discriminação, quer seja religiosa, cultural, política, econômica, de gênero, de sexualidade, física, de costumes. Somos individualmente diversos, mas temos o mesmo valor como componentes da humanidade, da vida, do cosmos. E a intolerância é fruto da ignorância – como foi aquela dolorosa lembrança dos sete anos e mesmo mais tarde, na ditadura – que, na modernidade, temos a obrigação de debelá-la, especialmente os religiosos.

Tenho experimentado essa decisão cada vez mais no Budismo e quero continuar aprendendo a respeitar a todos os seres.

Muito obrigado a todos.