1.048.574

postado por mongesato / 2 comentários

Vocês estão vendo esse número? É uma demonstração matemática. Há muita gente ( materialista) que acha que a matemática ou cálculo é única disciplina que mostra a verdade. Só o cálculo e a matemática apresentam os quisitos universais. Todo o resto é blá-blá-blá. Em parte, eles têm razão, mas a matemática e o cálculo realmente mostrariam a verdade?

O que é esse número? É um cálculo exponencial que mostra quem somos. Como podemos nos ver nesse número?  Aqui estamos nós. Para nós existirmos, para estarmos aqui e agora, necessitamos do pai e da mãe.  O pai depende de quem? Dos avós paternos. E a mãe? Dos avós maternos. Se eles não existissem, meu pai não existiria, minha mãe não existiria, eu não existiria. O avô paterno depende de quem? Dos pais dele. A avó materna depende dos pais dela.  O avô materno depende dos pais. Assim como a avó paterna depende dos pais.  Em cinco gerações, já são dezesseis pessoas.  Há cinco gerações, necessitamos dessas dezesseis pessoas senão não estaríamos aqui.  Esse é um cálculo exponencial que mostra essa verdade.  É muito científico, biológico. Se nós formos caminhando para trás, em vinte gerações, dependeríamos de 1.048.574 pessoas.  20 gerações são mais ou menos seiscentos anos.

Isso quer dizer que todos nós que vivemos nesse universo formamos uma comunidade. E no entanto vivemos separados, nos excluindo. Formamos castas, classes, grupos.  Formamos uma visão falsa de que não dependemos de ninguém, de que nossa existência é única, independente, autônoma.  Por que esse número é importante? Por que se um deles faltasse, não existiríamos. Em qualquer geração, precisamos de pais. Se faltasse um pai aqui, nós não existiríamos.  Apenas um ser faltasse nesse milhão, nós não existiríamos.  Todos nós somos interdependentes. Poderíamos falar também em genes. Com a ausência de um gene, nós não existiríamos.

Isso se chama humanidade. Fazemos parte desse universo, dessa unidade.  Há mais ou menos 600 anos atrás, antes do descobrimento, antes dos escravos terem sido capturados na África e vindo para cá, antes dos imigrantes japoneses chegarem aqui, se faltasse apenas um número, nós não estaríamos aqui.

Ainda o Budismo fala nos seus três tesouros.  Fala do Buda, que é a Luz.  Algo deve iluminar essa multidão, essa interdependência toda.  Terá sentido toda essa multiplicação? Por que nós não podemos prescindir da Luz, que no Budismo chamamos de Buda?

Nesse Budismo especialmente chamamos essa luz de Amida. A luz é um dos tesouros do Budismo. A luz dá uma orientação a essa multiplicação toda, evitando que se torne caótica.

Outro tesouro é o darma, os ensinamentos da natureza. A verdade.  Por exemplo, a verdade da interdependência. Todos somos interdependentes. Esse é o princípio da interdependência. Outro princípio é o da impermanência. Esses seres que nos sustentaram há cinco gerações atrás, já morreram. Os nossos pais já podem ter morrido. E eu um dia também vou morrer. Outro princípio é o da causalidade.  Se eu quero viver sozinho, não terei filhos. Como poderei ter filhos se não me relacionar amorosamente, sexualmente, afetivamente com alguém?  Não posso ter filhos sem uma ligação.  O quarto princípio é o da composição. Eu, na verdade, sou composto pelos meus pais. E por sua vez meus pais são compostos pelos pais deles, que por sua vez tem a composição dos pais dos pais dos pais.  Eu sou uma composição. Sou uma composição que dá prosseguimento a essa cadeia. Então esse é o segundo tesouro, que é o darma.

O terceiro tesouro é o sanga, ou a comunidade. Todos temos uma origem comum. E esse templo une as pessoas para que tomem consciência de que são uma comunidade. Por isso, não importa que as pessoas que aqui chegam sejam budistas ou não budistas, mas que tomem consciência de que formam uma comunidade dentro e fora daqui.
(transcrição: Cris Egen)