Crônicas Budistas

postado por mongesato / 01 comentários

 Esse momento é o único momento  

 

 

Moro no Templo e tenho outras coisas a fazer além das atividades propriamente ritualísticas de monge. Às vezes, me envolvo mais com assuntos administrativos do que gostaria. E sirvo chá e biscoito nas reuniões.

Servir chá parece algo tão banal! Uma das pessoas da nossa comunidade brincava comigo ao dizer que muitos pensavam que ela era a secretária do Templo só porque servia chá, atividade que faz com muita disciplina e dedicação.  Isso é bem natural na cultura brasileira, porque temos a tendência a pensar que somente pessoas subalternas servem ou na palavra “servir” como uma postura de submissão.

Lembrei da explicação de um budista ocidental, Phillip Eidmann, sobre o significado da palavra meditação no Shin Budismo, FURUMAI em japonês, que pode ser traduzido para o português como “prestar um serviço”.

A maioria de vocês vai levar um susto e podem até pensar que não somos budistas verdadeiros. Afinal Budismo no Ocidente é conhecido como uma tradição baseada estritamente na meditação. Além disso, prestação de serviço é uma palavra muito feia!  Bem que procurei uma tradução melhor, mas, por ora, não é necessário dar tanta atenção às palavras. Basta saber que canto, oferecimento de incenso, limpeza coletiva, tudo isso não é acessório, compõem o dia a dia da comunidade e do caminho budista.

A representação típica de FURUMAI é a cerimônia de chá. Preparação cuidadosa, sem pressa, atendimento especial. Um serviço que busca o aperfeiçoamento, como todas as artes orientais. A expressão tradicional que caracteriza a espiritualidade da cerimônia de chá é Ichigô-Ichiê que significa “servir a alguém como se fosse ato único de único encontro”.

O maior mérito do FURUMAI é fazer com que o nosso ego seja dissolvido na doação ao outro.