A preciosa vida que desaparece

postado por mongesato / 2 comentários

A morte sempre nos angustia, mesmo sabendo que a vida é feita de nascimentos e mortes.  No oficio matinal do último domingo falava sobre isso, de como os adeptos do Shin-Budismo se libertam dessa angústia ao aceitar que renascem na Terra Pura do Buda Amida pelo shinjin, confiança verdadeira, transcendendo as limitações das palavras e conceitos convencionais, das imagens mundanas para chegar a essa verdadeira natureza, a de Amida, onde desaparecem as fronteiras entre eu e todas as coisas.

Fundamental nesse ensinamento é que quando temos a escolha do shinjin, da verdadeira confiança, não é preciso morrer para alcançar essa transcendência, a Terra Pura do Buda Amida se realiza no aqui e agora pela recitação do nembutsu, a aceitação do Voto de Confiança do Buda, que compreende o karma no passado, presente e futuro. Com isso, a nossa liberação está assegurada.

Não sabia ainda do desastre ocorrido em  Santa Maria que ocorrera na madrugada.  Uno-me a todos que compartilham os sentimentos dos familiares, parentes e amigos das vitimas.  Os budistas podem entender o sentido do karma, o processo continuo de auto-renascimento ou auto-reinvenção através de nossas escolhas no interior de um sistema de causalidades e condicionantes pautado pelo desejo, apego e ignorância, mas o que adianta lembrarmos isso agora? Não é melhor invocar simplesmente a compaixão e sabedoria do Buda para simplesmente ouvir, seja em que nível for, esse oceano de sofrimento? Ouvir como empatia e solidariedade silenciosa em respeito a esses que sentem dor?

Por mais que nós soframos, solidários aos familiares, parentes e amigos dos mortos, ninguém os substitui ou será substituído.  A vida é preciosa e única, vivida por cada um.

Lembro as palavras do Mestre Rennyo, por ocasião da morte da sua filha:

Contemplando cuidadosamente a condição flutuante da vida humana, vejo que, do inicio ao fim, esta vida esvaece qual uma miragem. Como é fugaz esta vida! Os que ficam, os que vão, todos partem mais célere que as gotas de orvalho caindo, das folhas às raízes.  Pela manhã nosso semblante pode estar radiante e ao fim da tarde não sermos mais que cinzas brancas.  Isso é indescritivelmente doloroso.  A vida humana sendo assim evanescente, a morte pode vir tanto para o idoso como para o jovem.  Por isso, precisamos nos dedicar de coração à mais fundamental das questões, que é a vida após esta existência, entregando-nos profundamente ao Buda Amida e recitando o nembutsu.       

Me limito a recitar NAMANDABU NAMANDABU NAMANDABU ( o nome da luz).