Subindo as escadas do Templo pela primeira vez

postado por mongesato / 7 comentários

 1.     Estou aqui no Templo pela primeira vez e vim para meditar.  O que devo fazer?

Seja bem vindo.  Vamos iniciar com a meditação cantada que é a tradição da nossa escola budista, Shin-Budismo da Terra Pura, iniciada por Shinran Shonin (1173-1262) no Japão.

Como você vai perceber, o ritmo do canto leva ao ritmo natural da respiração, uma sabedoria que tem pelo menos 750 anos e é recitado desde o século XVI. É Por isso que cantamos em japonês romanizado e  só depois lemos a tradução. Costumo dizer aos iniciantes que, nesse momento, no esforço natural do canto, conseguimos nos livrar dos pensamentos, sentimentos e emoções e nos prepararmos para ouvir os ensinamentos.

2.     Não entendi nada quando cantei, embora tenha me sentido bem. Depois li a tradução e encontrei termos que não conhecia, como Darma Supremo, Amida, Nembutsu, Terra Pura e fiquei ainda mais confuso.

Não vou conceituar esses termos agora, pois não tenho a intenção de converter ninguém ao budismo.  A compreensão e aceitação do caminho budista deve ser a expressão do livre arbítrio e entendo que esse caminho pode ser mais ou menos demorado, a  depender do estado de cada pessoa e da sua disposição e disponibilidade à prática budista. Qualquer arte, qualquer ensinamento, exige tempo e dedicação.

Nesse primeiro momento, desenvolva a paciência, desarme-se e experimente. Seu corpo é seu laboratório, empenhe-se nessa pesquisa, com atenção, concentração e esforço alegres.

Só peço que já medite sobre isso: o que sentiu na leitura do canto e na leitura da tradução?

3.      Gostei mais do canto e fiquei atrapalhado no texto traduzido.  Por que será?       

Porque o canto é melodioso e belo, aceitamos naturalmente, em confiança.  A tradução, além de não ser melodiosa, algumas palavras nos criam desconfiança ou perplexidade, especialmente para nós que crescemos numa cultura cristã.

Essa naturalidade nos faz lembrar o nosso primeiro ato espontâneo de vida que foi o choro cantado ou o canto chorado ao sairmos da barriga da mãe. De alguma forma passamos a vida cantando nossas alegrias e tristezas, nossas frustrações e realizações.  A melodia é feita de tal forma que ajuda a nossa respiração e respirar é viver, sinal de vida, ciclo continuo de inspirações e expirações até a sua cessação.  Não se pode cantar se não respiramos bem.

4.     Então, a meditação é um exercício físico ou técnica corporal?

Pode ser entendida assim e não faz mal a ninguém como pausa temporal no cotidiano estressante, recuperação de doenças ou treinamento de concentração para enfrentar situações tensas como testes, vestibulares e concursos.

Mas isto é pouco, não só por ter duração curta como porque estamos aproveitando de forma restrita as nossas potencialidades como ser humano.

A atenção, a concentração e a disciplina que o próprio canto ou recitação propicia pela natureza da respiração que se torna consciente nos leva naturalmente à consciência do nosso pensamento, da nossa visão, da nossa ação, da nossa palavra que pauta os relacionamentos e do nosso modo de ser e viver.

Se vocês tiverem paciência e insistirem na disciplina, vão entender e aceitar que a meditação é o próprio Caminho Óctuplo, o Quarto Nobre Ensinamento de que fala o budismo, tomar consciência do valor da vida na prática e pela prática, aqui e agora.

Começa com a naturalidade da respiração e tomada de sua consciência.  De forma natural, palavras que parecem exóticas como Darma Supremo, Amida, Nembutsu, Terra Pura passam a fazer sentido quando começamos a ouvir os ensinamentos.

Horários dos ofícios de meditação:
sábados e domingos, às 9h
Consultar a secretaria para outros horários durante a semana – 3245-2469 ( das 8 às 14h / 16:30-19:30h)

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