Cartas do Japão (5)

postado por mongesato / 01 comentários

Despedida do Japão

 

Estamos nos despedindo do Japão.

Fiquei muito em dúvida antes de viajar.  Em vez de desenvolver tanta coisa junto com a sanga no Brasil, em Brasília, viajar ao outro lado do mundo para quê?  Vou lá difundir o budismo onde a grande maioria do povo é budista desde criancinha?  Vou analisar Fukushima com as próprias vítimas ou testemunhas da tragédia?  Vou tecer comentários sobre budismo com os doutores do budismo?

Me lembrei do Mestre Shinran que recebeu em Kyoto o grupo de adeptos dizendo:  “O que vocês vieram fazer de tão longe, em pleno inverno?  Estão em dúvida sobre o nembutsu?  Se quiserem aprofundar os estudos para alcançar a fé no Voto do Buda Amida, que vão para Nara ou Monte Hiei.  Eu só tenho a seguir os ensinamentos do meu mestre Honen de recitar o nembutsu como semente para nascer na Terra Pura, mesmo que esse caminho de vida me conduza ao inferno!”

Ao me encontrar no Japão, acho que o Mestre Shinran diria a mesma coisa.  Mas eu replicaria: “Vim confirmar se os seus ensinamentos são válidos hoje para tranquilizar todos os seres atemorizados com a expansão da radiação nuclear pelo mundo todo, acordar os enfeitiçados pelo apego capitalista e conscientizar aqueles que perderam a esperança pelo mundo da justiça, liberdade e igualdade.”

Saio do Japão agradecido por tudo que aprendi, principalmente sobre budismo humanitário e bondoso.  A humanidade se sustenta sobre três pilares: economia, política e cultura.  Economia e política é aquilo que vocês conhecem.  A cultura é o encontro de espíritos que vibram, de pessoas que se encontram, da convivência pacífica com a poderosa natureza.

E a religião – especialmente o budismo – consegue tornar o ser humano em mais poderosa usina energética para fazer a tripla conciliação entre economia, política e cultura.

E nós temos o caminho de síntese do nembutsu – NAMO AMIDA BUTSU ou NAMANDABU – válido para todas as épocas, mesmo na pós-modernidade da justiça, liberdade e igualdade.

Obrigado Japão!  Acho que Mestre Shinran me perdoaria.

Vocês também.

Grande e carinhoso abraço.

NAMANDABU NAMANDABU NAMANDABU