Cartas do Japão (2)

postado por mongesato / no comentários

Venho falando de fuso horário, fuso histórico, fuso cultural, exatamente por problemas que tenho, talvez de fuso mental ou de fuso etário. Brincadeiras à parte, o budismo nos ensina que sempre podemos tirar proveito das nossas deficiências no esforço do seu reconhecimento, compreensão e superação para o bem comum.

Se não me engano, fuso também se refere àquela pecinha importante do tear que vai cruzando os fios para formar o tecido, o cobertor, a tapeçaria. Cada um de nós pode ser um fuso diferenciado a formar o tecido social, o tecido histórico, o tecido cultural, em busca da proteção de sobrevivência, da beleza da emoção, da verdade sobre o significado da vida.

Tive a clara percepção disso no primeiro contato com a entidade que está promovendo o Simpósio pela Paz e Não Violência, tendo como tema o Movimento Antinuclear, três dias após chegar ao Japão.

É uma Confederação de entidades religiosas e civis, principalmente de cristãos, budistas e defensores da cidadania que foi fundada há mais de cinquenta anos em defesa do Artigo Nono da Constituição Japonesa que proíbe o rearmamento militar.  O monge Shin-Budista Yoshihiko Tonohira que esteve no Brasil em janeiro deste ano no Fórum Social Mundial de Porto Alegre e depois em Brasília falando sobre o desastre de Fukushima e se posicionou claramente contra as usinas nucleares, foi seu ultimo presidente .

Os participantes do painel foram: o foto-jornalista Takumi Sakamoto, adepto da Escola Budista Tendai que esteve na Tenda Antinuclear da Cúpula dos Povos, evento social paralelo ao Rio+20; o pastor Hajime Fujii, formado em Teologia pela Universidade de Yale, conhecido defensor das causas ecológicas como tema cristão e atualmente um dos membros mais ativos pela desativação sem volta das usinas nucleares no Japão; o monge Koushou Osada da linhagem Otani do Shin-Budismo, crítico implacável da política energética e da insegurança dos trabalhadores relacionados com a atividade nuclear no Japão.  E eu, modesto representante do Brasil, como convidado especial.

Quero deixar para outra carta a síntese do que foi falado no painel e o que senti em participar de uma passeata de mais de dez mil pessoas pelo centro de Sapporo, logo após deixarmos o belo recinto da Igreja Protestante Hokko.

Grande abraço a todos.

NAMANDABU NAMANDABU NAMANDABU