Voluntária na Nave

postado por Cris / 3 comentários

Nos finais de semana que passaram, fui voluntária na Festa do Templo Budista.

Minha tarefa foi, essencialmente, fazer uma rápida visita guiada com os interessados que subiam as escadarias até a nave do templo, o local onde fazemos os ofícios, as meditações e onde se encontra a imagem do Buda Amida. Pessoas de todos os tipos, idades e interesses escutam atentas a História do Budismo, a vida do Buda Shakiamuni, como foi construído o templo japonês em Brasília…  Tantas histórias!

Das oito noites que fui guia, talvez tenha falado com umas 500 pessoas no total. Mais umas 50 com quem falei nas escadarias, na porta de entrada…
Destas 550 pessoas com quem tive contato direto, quatro delas ficaram comigo.

As duas primeiras pessoas, um casal que fez a visita guiada. Chegaram de mãos dadas, curiosos e em silêncio. Ao final da visita, me disseram que vão a um casamento budista em São Paulo (do irmão dele) e querem saber mais sobre a filosofia para participarem da festa. Conversamos sobre meditação, leituras e viagens. Sorridentes, saíram prometendo voltar. Promessa cumprida, encontrei-os no final de semana seguinte. Desta vez, fizeram a meditação, e me contaram que virão para os encontros no curso de budismo também.

A outra pessoa, a tia Diva. Eu estava na porta do templo porque uma meditação ia começar. Ela não hesitou nenhum segundo em tirar os sapatos e entrar para a prática. Na saída, me agradeceu e disse que há dias vinha pensando no quanto está em falta com o silêncio interno, esse momento meditativo, tão difícil de descrever. Isso me emocionou profundamente. Sou eu quem agradeço você, tia Diva.

E por último, uma adolescente, que de tão linda, me chamou a atenção. Subiu e desceu as escadarias umas cinco vezes, e me fez a mesma pergunta umas três. Na porta, mordendo os lábios, ela pensava se entraria ou não para ouvir o monge Sato falar. Eu não resisti:
– Olha, eu acho que você deveria entrar. Você já subiu e desceu essa escada cinco vezes! Não pode ser só pela atividade física.
Me olhando surpresa, ela sorriu. E eu aproveitei para falar mais:
– Se você realmente não quisesse, você não estaria aqui. A gente sempre tem certeza do que a gente não quer. Entra, escuta. O máximo que vai acontecer é você sair achando que perdeu 30 minutos da sua vida.
Ainda sorrindo, ela tirou os All Stars de caveira e com as meias listradas de rosa e branco, entrou na nave.
E saiu com o belíssimo rosto sereno. e em silêncio.
É sempre assim:  todas as pessoas saem em silêncio. Aquele, que vem da mente, não da boca.

Estes sentimentos de alegria são estranhamente voláteis – porque eu sei que apesar de pertencerem a mim, também vão acabar.
Mas a oportunidade de ter vivido isso, transforma a alegria passageira em profunda gratidão.
A mesma gratidão que ouvi da menina Ana ao fazer a reverência do incensamento:
“Obrigada Buda Amida por estarmos hoje aqui nessa festa! “

( Fabiana ferreira é voluntária e frequenta o templo budista desde 2008)